A campainha toca... abro a porta e uma série de bruxinhos esbugalham os olhos na minha direcção:
"Doçura ou travessura?" - Disseram em coro
"Bom... aqui em casa terá que ser travessura!" - Respondi
Os bruxinhos entre-olharam-se incrédulos. Muito atrapalhados não tinham reacção. Observei o vão das escadas. Uma mãe divertida espreitava lá ao fundo quase imperceptível. Olhei-os de novo. Eles continuavam atrapalhados, até que a maiorzinha arriscou:
"Bem... podem ser bolachas..."
E o sorriso voltou a brilhar nos pequenos bruxos, agora com a esperança de se terem "safo".
"ok, bolachas de menina... das dietas eu tenho!"
O blerghh foi geral. Ainda assim fui à dispensa, e encontrei-lhes dois pacotes de bolachas integrais de maçã e passas. Eles estenderam o cesto, e um mini corajoso informou-me que não gostava de maçãs verdes e passas. Os outros concordaram. Mas lá foram felizes e contentes "assombrar" o resto dos moradores do prédio.
A Mariana diz que eu estraguei o halloween das crianças...
Tuesday, November 3, 2009
Sunday, October 25, 2009
Carta de Orfeu a Eurídice
I
Assim os vivos também se tornam fantasmas: Bato-lhes à porta da alma, vagueio num descampado de sentimentos, chamo-os - e vejo-os partir. Construo a solidão com os pedaços das imagens que me deixaram. Ergo edifícios a partir de memórias, de palavras, de gestos que ficaram das nossas conversas, quando o tempo se reduzia ao instante que vivíamos, e nenhum futuro nos impunha a sua sombra. Agora, porém, a que estação te irei buscar? Em que banco de jardim te irei surpreender, olhando essa manhã que marca a separação dos amantes? Limito-me a esperar que esta porta se abra, uma vez mais, e a Primavera entre para este quarto onde a noite se instalou.No entanto, és tu que eu quero guardar neste canto onde as aves fugiram. Sei que um pressentimento de Outono fez cair todas as folhas, deixando à vista o horizonte seco como esse espelho onde nada se reflecte, com o seu descanso mais negro. Será isso aquilo a que se chama amor? Ouve: os murmúrios que nascem de uma entrega de corpos, por entre os silêncios da casa, ou então sobrepondo-se a um vago ruído de chuva, nos vidros, enquanto o desejo corre pelos teus lábios como a nuvem mais frágil do destino. E ainda: a música quem impões a plenitude de uma recompensa, como se ela pudesse durar mais do que o tempo que nos é imposto? Dizes-me: um dom doloroso. Mas o que é o amor senão esse trabalho de renúncia e entrega, a lenta bebida que nos impregna com o seu veneno, e nos concede a única vida possível?
Então, regressa da tua ausência; ou dá-me ao menos a tua sombra, para que ela me cubra com esse manto de obstinação que só os tristes arrastam.
II
Aqui é o centro. Onde a solidão me impregna com o seu sudário de lodo, e a humidade dos fundos desce pelos vidros da noite, apagando as imagens amadas. No entanto, parto esses vidros para ver o que ficou para trás: que a alquimia de sensações corre ainda por esses campos onde avanças, com a falsa convicção do amor, levando-me atrás de ti até ao limite de onde não há regresso? Que abraço de corpos sobrevive no chão seco de palavras, enquanto te levantas da memória, e o teu rosto se iliumina por entre brilhos da manhã?Parece-me que é tarde para acertar as coisas que deviam ter sido feitas: ajustar as peças do presente nessa mesa onde se acumulavam copos e papéis; separar as questões que os dedos escondiam das respostas que entravam pela boca do desejo, até um êxtase de mãos e de olhos. Contei as queixas, transformei-as na mais doce das celebrações, arrastei o instante atè à berma da eternidade: e trouxe de volta a mais dolorosa das ilusões. De cada vez, porém, era único esse tempo nascido de uma partilha de lugares; e não dei pelo vento que soprava de dentro da vida, levando em direcções diferentes os passos que nos juntavam.
O futuro pertence aos cegos da imaginação; as suas paisagens estendem-se por esses caminhos que não voltaremos a seguir, até aos arbustos do horizonte. Não ouço nenhuma voz nos pórticos que se abriam para a mais efémera das alegrias - a que se confunde com um rosto incessante no interior da alma, a pura inscrição do amor. Guardo-te aí flor matinal, esperando que a água da vida te refloresça, e uma nova vibração te devolva à ilusão do presente. O centro é este: o lugar do encontro, onde os deuses nos roubam ao acessório, e um todo se fixa no que é aparente, e passa.
Nuno Júdice in "Pedro, Lembrando Inês"
Thursday, October 15, 2009
Torre de Babel
Não consigo escrever só porque sim. Quando escrevo, transcrevo sempre um turbilhão de sentimentos. o turbilhão que nessa fracção de segundo está a passar cá dentro. A trespassar. Cada palavra, cada frase, é recheada de algo profundo, tão profundo que talvez seja necessária a compreensão de outra mente perturbada.
Mas este é o meu ser, esta sou eu sem tirar nem por. Preenchida por uma torre de Babel de frases, palavras, letras... que podem desmoronar a qualquer momento.
Era aqui que eu não queria voltar.
Era aqui...
Mas este é o meu ser, esta sou eu sem tirar nem por. Preenchida por uma torre de Babel de frases, palavras, letras... que podem desmoronar a qualquer momento.
Era aqui que eu não queria voltar.
Era aqui...
Friday, September 25, 2009
Wednesday, May 27, 2009
Sunday, May 10, 2009
Tuesday, April 28, 2009
Sunday, April 26, 2009
Wednesday, April 22, 2009
Wednesday, April 8, 2009
Wednesday, April 1, 2009
Thursday, March 19, 2009
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